sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre 2666 - respondendo a Inaiê

Na verdade, são cinco romances em um só, mas estão interligados, ou seja, apresentam um fio condutor que gira em torno de um escritor consagrado, Archimboldi, que nunca teria sido visto por ninguém, exceto por seu editor. Ele ainda vive em algum lugar do mundo quando um grupo de críticos europeus, que se tornam obcecados por descobrir sua verdadeira identidade e localização sob o pseudônimo conhecido, se reúne em uma espécie de confraria para investigar tudo sobre ele. Mas não é um romance de mistério ou policial. Na verdade, isso é somente um mote para a aproximação dessas pessoas, que se envolvem de diversas formas, se questionam sobre tudo, a vida e a literatura, e para nos levar a diferentes cenários que estariam de certa forma relacionados ao escritor. 
O principal desses cenários é Santa Teresa, no México, onde ocorrem assassinatos em série (melhor seria dizer, em massa, pois é inspirado em Ciudad Juarez, no mesmo México). Lá se passam a segunda, terceira e, principalmente, a quarta partes do livro, até voltarmos `a Europa na quinta, quando finalmente somos apresentados `a história do escritor desde sua infância e conseguimos juntar os pedaços dos cinco livros. É maravilhoso, embora a quarta parte (a dos crimes) seja massacrante, com seu estilo jornalístico e intermináveis relatos dos massacres de mulheres. Mas isso me pareceu totalmente intencional, porque traz o efeito acachapante da violência massificada, sem apelações ou glamurizações midiáticas, sem disfarces. 
Agora quero ler, do mesmo Bolaño, Os Detetives Selvagens, que é outro tijolinho. Mas este ficará mais pra frente porque agora estou relendo a obra-prima do Coetzee (Desonra, que eu havia lido pela primeira vez no original, Disgrace, emprestado de biblioteca, há alguns anos atrás) e Precisamos Falar sobre o Kevin, da Lionel Shriver. Ainda nas primeiras páginas deste último, mas achando muito envolvente sua narrativa. Tentei ler outro dela, uns meses atrás, O Mundo Pós-Aniversário, mas confesso que acabei abandonando, porque achei muito chata sua protagonista, seus dilemas, o texto, tudo; e me pareceu de certa forma plágio da idéia original do Philip Roth em The Counterlife (O Avesso da Vida). Pode ser besteira minha, principalmente a implicância por causa da semelhança com a idéia do Roth, já que toda literatura conversa entre si desde sempre e é pra ser assim mesmo, mas na época andava muito atarefada e sem paciência, então larguei pra lá, já que também não sentia qualquer empatia pelos dilemas da personagem. Retornarei a ele futuramente, caso goste deste Kevin.

1 comentários:

Inaie disse...

Quase infartei!!! Obrigadinha pela resposta e pelo titulo do post.
Adoro um holofote!