Leia aí embaixo o último parágrafo de um post que merece ser lido - lá no Escreva Lola Escreva - e que resume muito bem o que eu penso sobre esse assunto. Já cansei de reagir verbalmente e já quase apanhei por isso, mais de uma vez, mas nunca deixo passar batido. Porque, de fato, raramente tem alguma graça.
"Cantadas" está assim, com aspas, porque de fato não se trata de cantadas. Cantadas são outra coisa. Trata-se, em geral, de grosserias mesmo. E é, sim, SEMPRE PERCEBIDO POR NÓS COMO AGRESSÃO TER NOSSO CORPO TORNADO, SUBITAMENTE, OBJETO DE AVALIAÇÃO POR PARTE DE UM ESTRANHO, SEJA QUAL FOR O VEREDITO FINAL QUE ELE DÊ.
Assim que: GOSTOSA É A &%$(@§#!!!!!!!!!
O princípio da cantada na rua não é o elogio. Não é a proposta, o convite. Pelo contrário, é o insulto. É a dominação. É lembrar quem manda aqui. Só quem está numa posição de poder pode avaliar. Quem é subordinado é avaliado. O “abuso de autoridade”, portanto, não foi da policial de Santa Maria, mas de todos os homens que se acham no sagrado direito de avaliar o corpo de uma mulher. Só porque ele é homem, ela é mulher, e uma sociedade patriarcal totalmente ultrapassada decidiu que ele pode.

2 comentários:
Assino embaixo.
Isso não vale só para frases, dizeres, vale para aqueles assobios ' fiuu-- fiuuu!!"... quem se sente lisonjeada com isso??
Cantada, que eu sei, tem que ser prazeroso.Como vc mesma disse, um convite, e não uma intimação ou imposição. O pior é que muito homem usa desse artifício de dominação/ imposição no decorrer da relação, quando já está namorando, casado, etc... triste, ne?? melhor ficar sozinha do que com isso aí...
beijão ::)))
Concordo plenamente com você e com a Maria Valéria. Até hoje não entendo o sentido disso. Com toda a certeza não é um convite, bem como vocês disseram, muito menos um elogio. E francamente, esse 'ritual' se repete inúmeras vezes no cotidiano de muita gente. Eu percebo isso. E dou graças por nunca ter acontecido comigo. Realmente, para uma sociedade que se diz 'racional' e 'civilizada', estamos muito aquém do esperado. Sonho com um dia em que todos se respeitem, indepentente do gênero, cor de pele, preferência sexual, ou qualquer que seja o motivo. Pode até ser bastante ingênuo da minha parte pensar que um dia isso chegue a acontecer, mas enfim, sonhar não custa nada, não é mesmo?
Beijos
Ingrid
PS.: Adorei o blog, concordo com 99.9% das suas opiniões. Passarei a seguir com muito prazer.
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