domingo, 15 de novembro de 2009

Cinco

5 COISAS QUE EU SEMPRE ACREDITEI E CONTINUO ACREDITANDO
  • A gente nasce só e morre só. O que acontece no meio é pura distração, já que todos ficaríamos malucos se ficássemos pensando o tempo em  coisas como 'de onde vim'?, 'para onde vou?'.
  • Não adianta se apegar a nada nem ninguém. A gente se apega porque é besta.
  • Tudo passa. Tudo muda o tempo todo, principalmente quando a gente não percebe nada mudando. O doce e o amargo, é tudo temporário. Então, por quê tanto drama? Porque a gente é besta, já disse.
  • A vida é tudo o que a gente "tem" - mas é claro que a gente não tem a vida, a gente é mais 'tido' por ela. A vida. Logo: a gente não tem nada. Esse verbo podia ser extinto por falta de aplicabilidade. Dinheiro, posses, convicções - tudo bobagem.  Madeira, cupim come; vidro, quebra; metal, enferruja; líquido, derrama; etc. etc. Tudo distração. Se pensar bem, quase todo sofrimento vem de algum tipo de apego a algo ou alguém. Porque a gente é besta.
  • Resumindo: ser humano é uma bosta. A criatura mais frágil da face da terra. E essa variante ocidental psicologizada, então... aff. Ego, ego, ego. Fraqueza, fraqueza, fraqueza. A força vital lá embaixo. Se nascer de novo, quero ser felina, uma leoparda livre e feroz.


5 COISAS QUE EU NÃO ACREDITAVA ANTES, E HOJE ACREDITO
  • Nem tudo depende da nossa força de vontade. Acho isso uma merda, mas fazer o quê?
  • A gente tem que escolher muito bem as brigas. Nem todo desgaste compensa. Auto-controle é o único controle que de fato serve para alguma coisa. Para a gente se poupar e guardar a própria força para as coisas boas ou para as brigas realmente relevantes. Queimar cartucho com besteira é coisa de burro. Só porque a gente é besta não precisa ser burro.
  • É possível amar alguém que você detesta. Aquela pessoa que tem características que você abomina, que mal consegue conviver.
  • Por outro lado, amor não garante boa convivência, compreender não garante boa convivência. O que garante boa convivência? Só a negociação diária. Haja paciência.
  • Posso entender algo e continuar não digerindo emocionalmente. Ou seja, intelecto não é tudo. E eu que botava tanta fé nele...


5 COISAS QUE EU ACREDITAVA ANTES, E HOJE NÃO ACREDITO MAIS
  • Que se eu conseguisse tornar uma coisa inteligível para mim, por pior que  fosse  a situação eu já me sentiria melhor. Quer dizer, se alguém me dava um pé na bunda e eu entendia suas razões, esquecia mais rápido. Hoje se alguém me dá um pé ou me sacaneia e vem depois tentar me explicar alguma coisa já recebo à bala!
  • Tudo na vida é questão de força de vontade e planejamento. Foi importante pensar assim na minha juventude, mas hoje já conheço os limites da vontade e da razão... Para algumas coisas, não dá nem pra saída.
  • Quem é seu amigo é amigo a vida inteira. Que nada! As pessoas estão só de passagem na vida da gente, por um motivo ou por outro, e nós também na vida delas... Podemos até percorrer um bom pedaço do caminho juntos, mas uma hora os caminhos se bifurcam. É inevitável.
  • Dormir é perda de tempo. Terei muito tempo pra dormir quando estiver morta. (Juro, sempre disse isso. Não foi à toa que ri tanto quando deparei com esse poster do café aí embaixo).
  • Quem é inteligente não faz merda. Ui, faz sim!

5 COISAS QUE EU DEVERIA ACREDITAR, MAS NÃO CONSIGO
  • Em Papai Noel - ainda mais nesta época...
  • Na Mega-Sena acumulada.
  • No dr. Brian Weiss, aquele da terapia das vidas passadas. Comprei o cd  que vinha com o livro do cara na época em que só se falava nisso, deitei na penumbra, fechei os olhos, me concentrei, fiquei ouvindo aquela voz chata dele, que deveria me levar à hipnose e... puta que o pariu, não 'viajei' nem até a semana passada, que dirá até uma vida passada. Ódio!!!
  • Em Deus. Ou deuses. Ou espíritos. Ou anjos. Ou orixás. Qualquer dessas agências de encantamento que povoam o mundo de tantos. No meu, não existe nada disso. O lado bom é que também não existem as contrapartidas negativas, digamos assim. Nem diabo nem demônios nem mal assombros. Meus encantamentos vêm dos meus sentidos (aromas, cores, texturas...) e dos mundos da ficção.
  • Que meu trabalho como professora pode fazer alguma diferença, quando eu sei que a maioria que se senta na minha frente na sala de aula e não se digna nem a tomar notas do que está sendo apresentado só está atrás de um diploma para poder prestar concursos públicos. Para minhas aulas, podem vir até pelados, mas venham acordados, pelamordedeus!

Esta tirei lá do blog da Betinha, minha amiga de Amsterdan (que eu já fui visitar e conheci pessoalmente, tá bom!).

No congresso da Anpocs, mês passado


É raro eu gostar de foto tirada em congresso, mas esta capturou um momento bacana, de verdade. Nela, estão Heitor, Letícia, minha amiga e 'sócia' Laura Graziela e Fraya. Foi tirada por um mestre, José de Souza Martins. Para não esquecer.
Este ano estive em Brasília, Minas e Argentina. Mas o lugar onde mais queria estar na maior parte do tempo era minha cama. Oh ano cansativo, meu povo! Muito trabalho, muita correria. Um ano meio estranho e, para mim, um tanto atípico. Ocupada sempre fui, mas nunca do tipo que faz trocentas coisas ao mesmo tempo. Este ano não teve jeito. O regime tudo-ao-mesmo-tempo-agora instalou-se na minha vida, sabe-se lá como, e taninha se-fudeu-se! uia... O que me salva é este senso de humor que papai-do-céu e meu ascendente em gêmeos me deram. Mas que meu sonho de consumo atual é mesmo minha cama, meu travesseirinho, meu soninho - isso é!

Tania-logia (Estudo da Tânia)

Porque é noite de sábado, estou em casa sozinha e decidi, com a firmeza da minha vontade e a justeza da minha consciência tranquila, que final de semana não foi feito para se trabalhar. Ainda mais depois de uma semana do cão como a que acabei de ter. Portanto, vamos brincar! Acabei de encontrar esse passatempo em um dos meus blogs preferidos, o Chá Verde com Limão (vixe, não é a primeira vez que surrupio algo de lá. Mas eu sempre dou o crédito hein!)


COMIDO-LOGIA
  • Qual o seu molho de salada preferido? Mostarda.
  • Qual é seu restaurante preferido? Aqui em Natal é o Mangai. Comida regional. Sou boa de garfo e 'magra de ruim'. Só não como aquelas coisas com vísceras, eca!
  • Qual prato você poderia comer todos os dias por 2 semanas sem ficar enjoado? Arroz com feijão, feijão com arroz.
  • Qual seu recheio de pizza preferido? hmmm... pizzarias iriam à falência se dependessem de mim. Gosto de pizza, mas não tenho nenhuma preferida. Acabo ficando com as 'clássicas'. Aquela com rodelas de tomate, qual o nome?
  • O que você coloca na sua torrada? Manteiga com sal.
TECNO-LOGIA
  • Quantas televisões vc tem na sua casa? Uma, LCD, 42, no quarto, como eu gosto.
  • Qual é a cor do seu celular? Rosa, fofinho, de menina.
  • Você tem um iPod? Sim, daquele shuffle, branquinho, tipo clipe. Tenho ouvido U2, João Bosco, Ibrahim Ferrer, Caetano e Norah Jones direto...
BIO-LOGIA
  • Você é destra ou canhota? Destra.
  • Você já teve algo removido do seu corpo? Sim, um encosto brabo. Eu mesma removi!
  • Qual foi a ultima coisa pesada que você carregou/levantou? Os sacos de areia higiênica dos meus gatos, na volta (a pé) do supermercado aqui ao lado.
  • Você já foi batido (porrada ou acidente) até ficar inconciente? NÃOOO!!
E-SE?-OLOGIA
  • Se fosse possivel, você gostaria de saber quando você irá morrer? Aff, pra quê, fio?
  • Se você pudesse mudar seu nome, pra qual mudaria? Fácil: tiraria meu primeiro nome, de que nunca gostei, e ficaria só com Tânia mesmo... (não venha perguntar meu primeiro nome, não seja óbvio!)
  • Você beberia uma garrafa inteira de molho de pimenta por $1.000? Nem por um milhão. Não mesmo. Só faria uma merda assim se estivesse na miséria, sem emprego, com filho passando fome. Sou uma assalariada feliz!!!
FAVORITO-LOGIA
  • Estação do Ano? Primavera, com sol, mas fresquinho.
  • Feriado? Todos!
  • Dia da Semana? Sábado, porque a gente sabe que ainda tem um domingo inteiro pela frente para continuar em casa (ou batendo perna por aí, se preferir). Mas, apesar de parecer contraditório, adoro segundas-feiras. Acho que é porque adoro começos...
  • Mês? Janeiro. Ano novo. Férias! Colocar as leituras em dia, escrever mais, ver tv até tarde, viajar um pouquinho... Minhas ambições são modestas.
AGORA-OLOGIA
  • Saudades de alguém? Oh, sim, como não?
  • Humor? Instável. Entre os extremos. Caminho do meio é para os fracos.
  • O que você está ouvindo? O ruído do ventilador. Mas até agora a pouco estava ouvindo Norah Jones.
  • Preocupação atual? Nenhuma que eu não possa resolver no devido tempo. É nas crises que eu cresço, enquanto outros arrancam os cabelos...
RANDOMO-LOGIA
  • Primeiro lugar aonde você foi esta manhã? Ao banheiro. Depois lá fora pra descartar o lixo.
  • Qual o último filme que você assistiu? Noting Hill, na tv, ontem. De novo. (Sim, eu gosto).
OUTROS-OLOGIA
  • Quantos pares de chinelos você possui? Alguns, não sei o número exato. Sempre esqueço de levar quando viajo e me hospedo em hotel. Aí acabo comprando outro par...
  • Ultima vez que você teve a polícia na sua cola? Nunca, sou uma moça de família!
  • Última pessoa que você conversou? O moço ali da drogaria, que foi gentil e me ajudou com as sacolas.
  • Última pessoa que você abraçou? Não lembro. Não sou muito de abraçologia não.
  • Você sempre atende ao seu telefone? Não.
  • É 4 da manhã e vc recebe uma mensagem de texto (SMS), quem é? Sempre desligo meu telefone à noite. Não faço questão de dar plantão para receber má notícia. Sei que elas sempre dão um jeito de encontrar o caminho.
  • Se você pudesse mudar a cor de seus olhos, qual seria? A cor dos meus olhos é linda. Castanha, mais clara no olho esquerdo do que no direito. E isso sempre me rendeu boas cantadas.
  • Você tem um câmera fotográfica digital? Sim, mas uso pouco. Não gosto de fotografar os lugares para onde vou quando viajo. Acho isso uma chatice. Gosto de fotografar meus gatos fazendo arte e coisas do dia a dia que me chamam atenção.
  • Você já teve um peixe de estimação? Não, mas uma colega minha criava um, o Cleuson, que morreu - ou melhor, foi assassinado - pelo desleixo de outra colega dela, que ficou de cuidar do bichinho pra ela e largou ele lá... Pobre Cleuson, Deus o tenha.
  • Canção de Natal Favorita? Natal é um saco... Minha canção favorita é aquela do comercial antigo da Vasp!
  • O que está na sua lista de presentes de aniversário? Sem lista.
  • Você consegue fazer flexões? Eu conseguiria, se quisesse. Mas por quê eu iria querer isso?!
  • Você consegue fazer “abertura” (com as pernas)? Ãhnn...?
  • O futuro te deixa mais nervoso ou excitado? Excitado.
  • Você tem alguma mensagem de texto salva? Sim, várias, abertas agora mesmo.
  • Você esteve em algum acidente de carro? Nunca.
  • Você tem sotaque? Devo ter, mas quem escuta são os outros. Sou carioca, da zona norte do Rio. Não tenho o sotaque carioca do Leblon, que o povo ouve nas novelas da Globo, o que sempre causa estranheza aqui no Nordeste. Dizem que não tenho sotaque de carioca... Mas esse povo não entende que o Rio não é só aquilo que aparece na Globo! Nasci no Rocha. Ninguém sabe onde fica o Rocha, nem os cariocas! É um bairrinho pequeno perto do bairro do Riachuelo, da Mangueira, da Uerj, onde estudei... a avenida próxima mais conhecida é a 24 de Maio, que vai dar no bairro do Méier. Portanto, carioca sim, mas do subúrbio, da zona norte, criada em casa com quintal, com goiabeira, abacateiro, amendoeira, gatos, cachorro, brincando na rua e dormindo de janela aberta. Não tenho nada a ver com aquela gente das novelas do Manoel Carlos, me tira dessa!
  • Qual foi o ultimo filme que te fez chorar? Noting Hill. Vexame...
  • Planos pra hoje à noite? Não faço planos para viver. Só faço planos para trabalhar.
  • Já se sentiu como se tivesse chegado ao fundo do poço? Não sei, acho que não... É tão relativo, não? O fundo de uns é o raso de outros. Não gosto da vaidade do sofrimento.
  • 3 coisas que você comprou ontem. Livros (cinco de uma vez, todos relacionados às minhas pesquisas), cerveja para abastecer minha geladeira e...não lembro uma terceira!
  • Você já presenteou alguém com rosas? Já. Minha mãe e um ex-amor. Minha mãe mereceu.
  • Conheceu alguém que mudou sua vida? Todo mundo que conheço muda minha vida, de um jeito ou de outro. Não sou impermeável.
  • Como você comemorará o Ano Novo? Não sei.
  • Qual música representa você? Devil may care.
  • Voltaria no tempo se fosse te dada a oportunidade. Talvez... Mas não por saudosismo.
  • Você tem alguma tatuagem ou/e piercings? Não.
  • Você tem alguém que te ama? Meus gatos me amam!
  • Você seria um pirata? Nem sei direito o que é ser um pirata...
  • Qual música você canta no chuveiro? Para o momento-chuveiro gosto daquelas bem drag, tipo I will survive.
  • Alguém já cantou pra você? Sim.
  • Você gosta de chamego? hummm, veja... Depende. Tenho certo horror de grude. Gosto de atenção. E consideração.
  • Você segurou a mão de alguém hoje? Não.
  • Quem foi a ultima pessoa que você fotografou? Umas amigas que revi quando fui a São Paulo. Faz tempo.
  • Os amigos que você tem hoje, são eles amigos antigos ou que você conheceu agora? De agora agora não tem nenhum. Todos já somam uns anos.
  • Você gosta do seu suco de laranja com polpa? Ãhnnn?
  • O que que você faz que seus amigos tiram sarro? Falo feito uma matraca, às vezes. Só às vezes. Na verdade, acho que nem falo tanto assim.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Em Nome do Vestido Rosa


Texto de Cinara Nahra

Professora  de Ética do Departamento de Filosofia da UFRN

Foi com profunda tristeza e preocupação que li a notícia de que a garota que foi brutamente moralmente insultada em um estabelecimento de ensino superior no interior de São Paulo, no mês de outubro do ano de 2009 do século XXI, tinha sido (pasmem!) expulsa do referido estabelecimento sob a alegação,entre outras, de que ela tinha (sic) " desrespeitado princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade".

Como professora de ética devo dizer que está havendo aqui uma brutal inversão de valores, que aliás,  é estratégia típica dos representantes do obscurantismo. Na realidade quem está  desrespeitando os princípios éticos e a dignidade acadêmica são aqueles que não só não pedem desculpas à moça pela humilhação a que ela foi submetida, como ainda, adicionando injúria à infâmia,  culpabilizam ainda mais a vítima.
Esta tática da inversão sempre foi usada em relação a nós mulheres. Vítimas de estupro foram muitas vezes  sórdidamente culpabilizadas pelos abutres-machistas de plantão, sempre prontos a dizer que "elas provocaram". Recentemente  em abril deste ano, o ex-arcebispo de Olinda excomungou vários membros (todas mulheres) e uma garota de 11  anos que teve de abortar pois corria risco de vida em uma gravidez provocada pelo seu padastro, que a estuprou. O arcebispo considerou o aborto um crime mais grave que o estupro e o abuso sexual, e a menina só foi salva graças a ação dos médicos, que deram ouvidos à razão e à ciência e não à ignorância.
Por que a garota do vestido-rosa-curto teria desrespeitado a ética?  John Stuart Mill, filósofo inglês do século XIX estabeleceu um princípio ético, conhecido na filosofia como  o princípio da liberdade que afirma o seguinte: "a auto-proteção constitui a única finalidade pela qual se garante à humanidade, individual ou coletivamente, interferir na liberdade de ação de qualquer um. O único propósito de se exercer legitimamente o poder  sobre qualquer membro e uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar dano aos demais". Perguntemos, então: que dano poderia um vestido rosa-curto causar a qualquer pessoa? "Por acaso alguma das pessoas que estavam lá naquele momento poderia ser vítima de um ataque cardíaco ou poderia transformar-se em uma estátua de sal diante de tal 'dantesca" visão? Todos nós sabemos que não. Os mais sensíveis, aqueles que por qualquer motivo se sentem ofendidos ao olhar para pernas femininas descobertas, estes poderiam ter, simplesmente, virado o rosto  para o outro lado. Mas porque não o fizeram? Por que aqueles que estão acostumados a não olhar para a  miséria existente em nosso país, para as desigualdades de classe, para a violência e a criminalidade que está dilapidando nossa sociedade e tirando a vida de milhares de pessoas, resolveram "olhar" para o vestido rosa-curto e insultar sua dona?  A resposta talvez esteja ,exatamente, na falta de uma educação ético-moral baseada nos princípios clássicos da tolerância, do respeito as diferenças, da não agressão e da regra de ouro (não faça aos outros aquilo que não queres que te façam!).
O ataque dos colegas à moça do vestido-rosa-curto, este sim,  foi um ato de brutal intolerância, fruto do preconceito e do moralismo. O moralismo, eu tenho já dito isto nos meus artigos, é uma deturpação da moral. O moralismo não resiste ao critério da universalidade e do dano. Se a partir de agora todas as mulheres do mundo resolvessem usar vestidos curtos, nenhuma consequencia nefasta se produziria. Algo completamente diferente se daria, por exemplo, se universalizássemos comportamentos como a corrupção, a mentira, o roubo, a exploração. Se todas as pessoas no mundo resolvessem ser corruptas, mentir, roubar, explorar,  as conseqüências para a sociedade seriam extremamente negativas. Se assim é, porque muitas  pessoas estão dispostas a serem coniventes com os comportamentos do segundo tipo, os comportamentos imorais como a corrupção, o roubo, a criminalidade e a condenar um comportamento tão inocente quanto usar um vestido curto? A coisa se torna ainda mais deplorável quando vemos que aqueles que têm sob si a responsabilidade de dirigir uma instituição de ensino, mostram também eles um comportamento "moralista", e portanto imoral, ao penalizarem duramente quem não fez nada de errado e a serem "brandos" na penalidade a todos aqueles que , estes sim, hostilizaram brutalmente um outro ser humano pelo simples fato de ela usar uma roupa, ou comportar-se de um modo  que  não lhes agradava. Ao aceitar o bullying (molestamento) dos agressores e condenar a  vítima, a instituição deu a todos os jovens do país uma preocupante e assustadora lição de preconceito, moralismo e obscurantismo.
Por último, gostaria de lembrar um episódio da nossa história recente. Na época da ditadura militar, Leila Diniz foi duramente atacada pelos moralistas por usar biquíni na praia, estando grávida. Em 1969 ela deu uma entrevista ao jornal o Pasquim aonde ela  disse entre outras coisas que " felizmente já amei muito  e espero amar mais ainda". Após esta publicação foi instaurada a censura aos jornais em nosso país, naquele que ficou conhecido como o decreto Leila Diniz. Todos nós sabemos o que aconteceu depois: a brutal repressão que se instaurou no país nos anos 70. Felizmente hoje vivemos em uma democracia plena, e são mínimos os riscos de uma volta a um período ditatorial. Entretanto, os horrores da ditadura, dos anos da repressão, da censura, estão ainda muito próximos de nós para serem esquecidos. O moralismo, o preconceito e a intolerância comportamental andam de mãos dadas com  todos os totalitarismos do mundo e é preciso que estejamos muito atentos na defesa dos direitos políticos , reprodutivos e sexuais que foram conquistados, com muita luta, pelas mulheres.
Que o vestido rosa-curto sirva para que a gente reflita sobre os valores da nossa sociedade. Há algo de profundamente perturbador  quando um grupo  insulta um ser humano por causa do tamanho da roupa que este ser humano usa. Este é um sinal de que há algo de podre no reino do Brasil e tudo é ainda mais preocupante quando se sabe que ha outros casos, alguns até mais graves. Uma trabalhadora já foi agredida por ser confundida  com uma prostituta, como se fosse permissível agredir prostitutas! Mendigos já foram queimados por jovens de classe média, como se mendigos não fossem gente! Crimes brutais são cometidos todos os dias, todas as horas e tudo fica por isso mesmo, como se a criminalidade fosse normal e a vida humana não tivesse nenhum valor. Definitivamente há algo de profundamente imoral na sociedade brasileira, mas com absoluta certeza esta imoralidade não tem absolutamente nada a ver com vestidos ou saias curtas.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

recadinho na garrafa

Estive semana passada em um congresso em Minas e agora estou em uma banca de seleção de mestrado, atolada bem no meio de uma pilha de provas escritas para correção imediata, que serão seguidas pelas entrevistas, que serão seguidas por... Gente, nem sei mais! Trabalhando loucamente. Final de semestre, é isso. Já já volto! Beijosss