domingo, 29 de novembro de 2009

Palavras e Imagens



Achei tão lindo o texto de Marcos Silva sobre o filme O Céu de Suely, que li em O Teorema da Feira, que transfiro para cá o trecho final. Para ler o texto na íntegra, visite o link. Vale a pena.


Último almoço com a família, comida boa, Hermila chora. Já no ônibus e na estrada, ela é acompanhada por João, na moto, mas não aceita esse convite para ficar: se o amor existir (João, enamorado, existe), ele nada resolve para a personagem. Há uma longa cena da estrada onde o caminhão e a moto de João estivera, deserta; depois, João volta, sozinho.


Na saída da cidade, há uma placa que diz:
“Aqui começa a saudade de Iguatu”.


Na paisagem, céu azul, tantas luzes. Essa vida, todavia, é uma experiência de cegueira – a beleza está lá fora, inalcançável.


Suely não existe, muito menos seu céu. O que há é Hermila, que sente as profundas dores dessas inexistências. E o filme não se resolve em uma finalização idealizadora, antes provoca o espectador sobre o que fazer diante desse mundo sem perspectivas.


Não há paraíso, Hermila e seus companheiros de pobreza foram expulsos desse nada desde sempre. E num mundo sem Deus, seres humanos tratam de se expulsarem uns aos outros, vontade de poder sobre o inferno disponível.


A angústia íntima se articula com esse cenário social de desolação e desencontro. As chances de nada dar certo são gigantescas, do tamanho do céu.


(Autoria do texto: Marcos Silva, Historiador e Professor na FFLCH/USP)
Not the only one
Who's happy to go blind.


(Staring at the Sun, U2)

Uma Antropologia do Ciberespaço e no Ciberespaço


GT (Grupo de Trabalho) na próxima Reunião Brasileira de Antropologia (27a RBA)
1 a 4 de agosto de 2010, Belém – PA

COORDENADORES: ELIANE TANIA FREITAS
                              LAURA GRAZIELA GOMES

O grupo de trabalho se propõe a refletir e discutir, em dois planos distintos, os aspectos e experiências do ciberespaço e no ciberespaço. No primeiro plano (do ciberespaço) os aspectos operacionais, tecnológicos e cognitivos presentes no consumo das diferentes plataformas online. Por que todo mundo tem Orkut? Ou um blog? O que leva as pessoas a investirem mais em algumas plataformas do que em outras? Necessidade, acessibilidade, usabilidade ou moda? No segundo plano (no ciberespaço), discutir fenômenos como as interações sociais que cada uma dessas plataformas promovem, suas possibilidades, limites, efeitos sociais. O que seria valorizado, enfatizado em cada uma?

Assim, nosso GT se inscreve no campo de discussões especificamente voltado para uma antropologia do Ciberespaço, da Cibercultura e do Consumo de Tecnologias Digitais no mundo contemporâneo. Daremos especial ênfase a reflexões originadas de estudos etnográficos, inclusive com a necessária problematização da prática de trabalho de campo online e da experiência etnográfica nela implicada. Tratar-se-ia de uma experiência singular, frente a outras etnografias, realizadas offline? Em que medida e em quais aspectos? Assim, esperamos que o espaço do GT seja também um espaço para discussões metodológicas no campo da nossa disciplina.

sábado, 28 de novembro de 2009

Neste calorão, nada como


sombra + livro + música

domingo, 22 de novembro de 2009

A alegria é um sinal de que a vida venceu


Li essa frase em uma T-shirt. E, lembrando dela, lembrei de Caetano e de uma de suas canções eternas.




Alegria Alegria

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...

Falando nisso...

Olha aí quem também curte um esmalte vermelho. Aliás, não só esmalte: o batom também arrasou! É o estilista Marc Jacobs, da grife de mesmo nome. Vê-se que, apesar de seus perfumes, por exemplo, se caracterizarem pela delicadeza e discrição, M.J. gosta mesmo é de causar. A foto, na verdade, está no livro 15 X 15, que celebra os quinze anos da marca de cosméticos Nars.



As fotos do livro, tiradas pelo próprio maquiador François Nars, teriam sido inspiradas por imagens icônicas de pessoas famosas como John Galliano, Elizabeth Taylor e Charles Chaplin.