Achei tão lindo o texto de Marcos Silva sobre o filme O Céu de Suely, que li em O Teorema da Feira, que transfiro para cá o trecho final. Para ler o texto na íntegra, visite o link. Vale a pena.
Último almoço com a família, comida boa, Hermila chora. Já no ônibus e na estrada, ela é acompanhada por João, na moto, mas não aceita esse convite para ficar: se o amor existir (João, enamorado, existe), ele nada resolve para a personagem. Há uma longa cena da estrada onde o caminhão e a moto de João estivera, deserta; depois, João volta, sozinho.
Na saída da cidade, há uma placa que diz:
“Aqui começa a saudade de Iguatu”.
Na paisagem, céu azul, tantas luzes. Essa vida, todavia, é uma experiência de cegueira – a beleza está lá fora, inalcançável.
Suely não existe, muito menos seu céu. O que há é Hermila, que sente as profundas dores dessas inexistências. E o filme não se resolve em uma finalização idealizadora, antes provoca o espectador sobre o que fazer diante desse mundo sem perspectivas.
Não há paraíso, Hermila e seus companheiros de pobreza foram expulsos desse nada desde sempre. E num mundo sem Deus, seres humanos tratam de se expulsarem uns aos outros, vontade de poder sobre o inferno disponível.
A angústia íntima se articula com esse cenário social de desolação e desencontro. As chances de nada dar certo são gigantescas, do tamanho do céu.
(Autoria do texto: Marcos Silva, Historiador e Professor na FFLCH/USP)
Na saída da cidade, há uma placa que diz:
“Aqui começa a saudade de Iguatu”.
Na paisagem, céu azul, tantas luzes. Essa vida, todavia, é uma experiência de cegueira – a beleza está lá fora, inalcançável.
Suely não existe, muito menos seu céu. O que há é Hermila, que sente as profundas dores dessas inexistências. E o filme não se resolve em uma finalização idealizadora, antes provoca o espectador sobre o que fazer diante desse mundo sem perspectivas.
Não há paraíso, Hermila e seus companheiros de pobreza foram expulsos desse nada desde sempre. E num mundo sem Deus, seres humanos tratam de se expulsarem uns aos outros, vontade de poder sobre o inferno disponível.
A angústia íntima se articula com esse cenário social de desolação e desencontro. As chances de nada dar certo são gigantescas, do tamanho do céu.
(Autoria do texto: Marcos Silva, Historiador e Professor na FFLCH/USP)




